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Observações casuais a propósito de Itália.
sexta-feira, agosto 27, 2004
Viagem ao Norte de Itália / 2001 (8)

Portofino - Foto
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|| Edmundo Tavares, 3:53 a.m.
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Viagem ao Norte de Itália / 2001 (7)

Portofino - Foto
Eu na marina de Portofino. Porém, sem iate...
|| Edmundo Tavares, 3:42 a.m.
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Viagem ao Norte de Itália / 2001 (6)
2º Dia (manhã)
O dia começou em esplendor: abrindo as persianas, eis o espectáculo do Lago Maggiore e dos Alpes numa manhã luminosa! Contudo, após um passeio pela marginal, impunha-se começar uma jornada de 500 quilómetros rumo a Sul.
Rapidamente se atingiu a auto-estrada que vem de Domodossola, na fronteira com o cantão suíço de Vaud, e vai até à costa lígure, atravessando o Piemonte. Após uma profusão de túneis, chegámos à planície Padana. Passámos à ilharga de Novara, Vercelli e Alessandria. Aqui lembrei-me do músico Paolo Conte, que é desta zona.
Foi no Piemonte, em particular em Turim, que se forjou o nascimento da Itália (Rissorgimento). Era aí o centro do reino da Sabóia. É curioso, pois, essa entidade não seria genuinamente italiana, já que as suas origens estavam em território hoje francês. Na corte e nos ambientes cultos, a língua dominante foi, nos séculos XVII e XVIII, o francês, o qual só a partir do século XIX começou a ceder perante o toscano (italiano). Entre o povo, que falava um romance de filiação gálica, o idioma de Dante não soaria menos estranho que o francês...
Ao entrarmos na Liguria a auto-estrada imerge nas montanhas. Daqui para diante e durante muitos quilómetros o percurso foi feito mais sob túneis do que à superfície. Não imaginava que houvesse auto-estradas com tantos túneis. A Liguria é uma região litoral e montanhosa. As localidades aparecem implantadas sobre penhascos, com uma característica torre de igreja e um pequeno castelo. Génova, a sua principal cidade, é populosa e ostenta uma rica história de tradição comercial e marinheira. Entre várias glórias, basta dizer que foi aqui que nasceu Cristóvão Colombo. A sua fisionomia é original, pois consiste numa longa faixa urbana costeira alcandorada em encostas íngremes. A beira-mar é um porto quase contínuo – o mais importante da Itália. A auto-estrada passa pelas suas entranhas num percurso intermitente de túneis e fragas escavadas. A cidade foi-se mostrando, assim, em flashes, com zonas residenciais em socalcos. Eram edifícios comuns, mas sujeitos a homogeneidade de cores. Tal como acontece em Espanha, quase todas as varandas dispõem de toldos iguais (o mesmo padrão cromático para todos os prédios) e muitas têm flores.
A seguir tomamos o desvio para Portofino. Entrámos na estância de Rapallo e aí começou um trajecto de sonho que reforçou o meu fascínio pelo Mediterrâneo. É uma costa acidentada, revestida de vegetação arbustícia, mas onde a presença humana se distingue pelo bom gosto. Não se avista nenhum daqueles blocos de apartamentos ou torres de hotéis que enxameiam o Algarve e a maior parte da costa mediterrânea espanhola. Não estamos perante uma área despovoada (bem pelo contrário!), o que sucede é que tudo parece ter sido construído entre a belle époque e os anos 50. São numerosas as casas apalaçadas e não raras as mansões. A arquitectura é de bom-gosto.
Rapallo é um aperitivo para a estância seguinte, Santa Margherita Ligure. Esta, por sua vez, prepara a entrada para Portofino. As praias, propriamente ditas são acanhadas, com areia grossa ou só seixos e rochas. Naquele concorrido domingo a estrada era bordejada por um enxame de “vespas” e motas.
Portofino é um rincão do paraíso. Só há casas de estilo genovês – altas, estreitas e de cores suaves. Nas colinas em redor só se vislumbram casas apalaçadas. O porto alberga iates de luxo. Não admira que os estilistas milaneses venham para aqui fazer os seus desfiles… É um cenário de anúncio Martini. O tema Love in Portofino, seja no original de Johnnny Dorelli ou na versão de Dalida, ainda traduz a atmosfera. Também podem ser convocados clássicos de temática estival como Sapore di Sale ou Estate…
|| Edmundo Tavares, 3:13 a.m.
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quinta-feira, agosto 26, 2004
Lingua Italiana (1)

Mapa Dialectal
|| Edmundo Tavares, 5:22 p.m.
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História de Itália (1)
Italia Irredenta
A Itália é um estado recente. Foi formada no terceiro quartel do Século XIX a partir do Piemonte (Monarquia da Casa de Sabóia), o qual dominava também o Vale d’Aosta, a Ligúria e a Sardenha. Todo o resto da Península Itálica estava retalhado por várias soberanias (Império Austríaco, no Norte e Nordeste; vários pequenos estados independentes, no Centro-Norte; Estados Pontifícios, no Centro (incluindo Roma); Reino de Nápoles, no Sul e Sicília.
O processo de unificação designa-se Rissorgimento. O seu objectivo era estabelecer uma unidade estatal em toda a Península Itálica e ilhas adjacentes. O novo estado corresponderia a uma unidade geográfica natural e, neste contexto, Roma estaria naturalmente destinada a ser a sua capital, sendo que, ainda por cima, esta cidade estava investida de poderoso significado histórico. Por outro lado, em todos esses territórios falavam-se línguas latinas e havia uma poderosa unidade religiosa – ao longo de séculos o catolicismo ajudara a solidificar uma unidade cultural básica.
A consciência patriótica italiana desenvolveu-se a partir do início do Século XIX, sobretudo entre a burguesia. Estabeleceu-se, sem grande discussão, a conveniência de adoptar o dialecto toscano como língua italiana, tendo em conta a enorme vantagem de prestígio da língua de Dante sobre todos as outras línguas, assim como o facto de ser inteligível pelas populações meridionais e setentrionais. O toscano já era, aliás, a língua literária da inteligência de toda a Península (designado já de italiano, antes de oficialmente o ser…), ainda que, no Norte, em situação de partilha com o francês ou alemão.
Alcançar estes objectivos implicou guerras com o Império Austríaco e com a Santa Sé, que tiveram desenlaces vitoriosos, não só graças á mobilização do entusiasmo patriótico, mas também, ao apoio da França.
Contudo, quando o Rissorgimento alcançou os seus objectivos básicos, permaneciam fora da Itália territórios que reuniam requisitos geográficos e culturais de italianidade. Eram: Córcega e Nice (França); Ticino (Suiça); Trentino, Trieste e Fiume (Império Austro-Húngaro). Os patriotas radicais ainda adicionavam, com voluntarismo: Zara e toda a Dalmácia (Império Austro-Húngaro), Albânia e Malta. Em relação aos territórios franceses havia como que um tácito acordo em que a abdicação deles era uma contrapartida pelo apoio francês contra os austríacos. Quanto ao Ticino havia a consciência de que a população local permanecia alheia a qualquer tendência centrífuga em relação à Suiça. Onde a questão se colocava de forma aguda era em relação aos territórios sob soberania austríaca – extensos, importantes e onde havia uma opinião pública entusiasticamente envolvida no objectivo de se unir à Itália. É a partir daqui que surge o movimento Italia Irredenta, que visa completar a unidade italiana.
|| Edmundo Tavares, 4:36 p.m.
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Italo Dance (1)

Pino d'Angiò
No início dos anos 80 o disco sound (tão injustamente vilipendiado...) estava em declínio. Surge uma novidade: o italo-disco dance. Ou seja, nova música de discoteca produzida em Itália. Dentro deste género, um dos nomes mais originais foi o do napolitano Pino d'Angiò (não confundir com Pino Daniele, também napolitano), cujo verdadeiro nome era, aliás, Giuseppe Chierchia. Com o tema Ma quale idea estoirou nos tops europeus. Porém, em 1983 tem um LP bem mais interessante, no qual se encontram temas sugestivos e originais num registo entre o rap e o típico italo-disco dance. Um deles é Mani in Alto, que tem uma letra delirante, que consiste no relato, na primeira pessoa (o delinquente), de um assalto a um banco, a sua fuga, o acidente mortal, a chegada às portas do paraíso, as objecções de São Pedro e o subsequente caos que aí se instala. Jamais alguém se lembrou de pôr uma coisa assim como letra de música, ainda por cima numa batida bem engraçada. Pino D'Angiò foi um cometa efémero de uma música já de si efémera. Este LP, comercialmente, esteve aquém das expectativas da editora - era demasiado sofisticado para o público consumidor para o qual foi dirigido. Não mais houve notícias deste napolitano.
|| Edmundo Tavares, 1:38 a.m.
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sábado, agosto 21, 2004
Viagem ao Norte de Itália / 2001 (5)

Stresa - Vista do quarto do Hotel para o Lago Maggiore
2º Dia (manhã)
O dia começou em esplendor: abrindo as persianas, eis o espectáculo do Lago Maggiore e dos Alpes numa manhã luminosa! Contudo, após um passeio pela marginal, impunha-se começar uma jornada de 500 quilómetros rumo a Sul.Rapidamente se atingiu a auto-estrada que vem de Domodossola, na fronteira com o cantão suíço de Vaud, e vai até à costa lígure, atravessando o Piemonte. Após uma profusão de túneis, chegámos à planície Padana. Passámos à ilharga de Novara, Vercelli e Alessandria. Aqui não pude deixar de evocar a figura do músico Paolo Conte, meu ídolo, que é desta zona.Foi no Piemonte, em particular em Turim, que se forjou o nascimento da Itália (Rissorgimento). Era aí o centro do reino da Sabóia. É curioso, pois, essa entidade não era genuinamente italiana, já que as suas origens estavam em território hoje francês. Na corte e nos ambientes cultos, a língua dominante foi, nos séculos XVII e XVIII, o francês, o qual só a partir do século XIX começou a ceder perante o toscano (italiano). Note-se, porém, que entre o povo, que falava um romance de filiação gálica, o idioma de Dante não era menos estranho que o francês...Ao entrarmos na Ligúria a auto-estrada embrenha-se nas montanhas. Daqui para diante e durante muitos quilómetros o percurso foi feito mais sob túneis do que à superfície. Não imaginava que houvesse auto-estradas com tantos túneis. A Ligúria é uma região litoral e montanhosa. As localidades aparecem implantadas sobre penhascos, com uma característica torre de igreja e um pequeno castelo. Génova, a sua principal cidade, é populosa e ostenta uma rica história de tradição comercial e marinheira. Entre várias glórias, basta dizer que foi aqui que mais provavelmente nasceu Cristóvão Colombo. A fisionomia desta urbe é original, pois estende-se por uma longa faixa costeira alcandorada em encostas íngremes. A beira-mar é um porto contínuo – o mais importante da Itália. A auto-estrada passa pelas suas entranhas num percurso intermitente de túneis e fragas escavadas. A cidade foi-se mostrando, assim, em flashes, com zonas residenciais em socalcos. Eram edifícios comuns, mas sujeitos a homogeneidade de cores. Tal como acontece em Espanha, são muitas as varandas que dispõem de toldos iguais (o mesmo padrão cromático para todos os prédios) e muitas têm flores.A seguir tomámos o desvio para Portofino. Entrámos na estância de Rapallo e aí começou um trajecto que reforçou o meu fascínio pelo Mediterrâneo. É uma costa acidentada, revestida de vegetação arbustícia, mas onde a presença humana se distingue pelo bom gosto. Não se avista nenhum daqueles blocos de apartamentos ou torres de hotéis que enxameiam o Algarve e a maior parte da costa mediterrânea espanhola. Não estamos perante uma área despovoada (bem pelo contrário), o que sucede é que tudo parece ter sido construído entre a Belle Époque e os anos 50. São numerosas as casas apalaçadas e não raras as mansões. A arquitectura é de bom-gosto.Rapallo é um aperitivo para a estância seguinte, Santa Margherita Ligure. Esta, por sua vez, prepara a entrada para Portofino. As praias, propriamente ditas são acanhadas, com areia grossa ou mesmo só seixos e rochas. Naquele concorrido domingo a estrada era bordejada por um enxame de “vespas” e motas.Portofino é um rincão do paraíso. Só há casas de estilo genovês – altas, estreitas e de cores suaves. Nas colinas em redor só se vislumbram casas apalaçadas. O porto alberga iates de luxo. Não admira que os estilistas milaneses venham para aqui fazer os seus desfiles… É um cenário de anúncio Martini. O tema Love in Portofino, seja no original de Johnnny Dorelli ou na versão de Dalida, ainda traduz bem a atmosfera do lugar. Também podem ser convocados clássicos de temática estival como Sapore di Sale ou Estate…
|| Edmundo Tavares, 2:28 a.m.
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Viagem ao Norte de Itália / 2001 (4)
1º Dia (tarde / noite)
Ecco! Eis-nos, alegremente, por estradas secundárias da Lombardia. Primeiro impacto: verde por todo lado, mas salpicado por muitas vivendas de aspecto próspero. Em Sesto Calende, onde começa o Lago Maggiore, percebi subitamente que em Itália as placas verdes indicam auto-estrada e as azuis estradas comuns, o que evitou, por um triz, o abandono da estradinha que bordeja o lago.
Arona é um cenário de bilhete postal. Lindo! Na outra margem do lago, um castelo desafiava a cidadezinha. Desde logo observei particularidades do parque automóvel: predomínio de utilitários pequenos e de todo o tipo de motas. Sendo uma região que ostenta um dos primeiros lugares em nível de vida da Europa, este facto suscitou algumas reflexões... Não tardou a chegada a Stresa. Lá estavam as Ilhas Borromeas e a imponente mole alpina. O nosso hotel Eden estava mesmo em frente ao lago. Melhor ainda, o quarto dava para esse cenário! Era um edifício bem ao estilo italiano, de cor pastel e com aquelas persianas típicas. O segredo do seu preço ser tão baixo residia no facto de que parecia já ter conhecido melhores dias (há muito…), estando necessitado de amplas reformas. Na verdade, 15.000 escudos por noite era aqui algo de suspeitosamente barato...
Depois de breve descanso, decidimos ir à Suíça, que estava apenas a 40 quilómetros. Tratava-se de fazer uma visita relâmpago à cidade de Locarno, no Cantão de Ticino. A marginal prometia paisagens espectaculares e… internacionalizávamo-nos um pouco mais. O problema foi que, no caminho, em Verbania, deparou-se um enorme engarrafamento. Era um acidente rodoviário. O tráfico foi desviado por acanhadas estradinhas que serpenteavam montanha acima, montanha abaixo numa paisagem de vivendas e de flora alpina. Tornou-se evidente que cada viatura seguia o rumo da que ia à frente, confiando que só poderia haver um único destino para toda aquela procissão. As bifurcações e entroncamentos não eram assim tão poucos e a ausência de placas direccionais era absoluta. A odisseia atingiu a gargalhada quando, perseguindo afincadamente o Audi que ia à frente e onde seguia uma jovial família alemã, chegámos a um beco sem saída. Trocámos olhares divertidos, retrocedemos e experimentámos seguir outra proposta a partir de uma bifurcação que havia ficado para trás. Com êxito. Reencontrou-se a desorientada procissão e, vários quilómetros de curvas adiante, recuperou-se a marginal.
A Suíça apareceu, quando a noite já chegava. E o que trouxe de novo? Uma estrada mais larga, com mais sinalização e mais comércio. Curiosamente, o italiano não era a única língua presente nos letreiros, já que se notava por todo o lado a presença do alemão. Entramos em Locarno já noite e, por isso, não foi possível admirar bem a paisagem – deu, no entanto, para perceber que seria deslumbrante. Parámos junto ao Casino e fomos, por questão de prudência financeira, a uma pizzaria. Quando me esforçava com a minha melhor pronúncia italiana em comunicar o pedido, o garçon disparou à queima-roupa: são portugueses? Era um português (aliás, não era o único) que trabalhava ali há vinte e tal anos. Loquaz, familiar, disse que era de uma aldeia perto de Viseu e contou muita coisa da sua vida. Confidenciou que não gostava dos suíços e quando lhe perguntei se os dali, não seriam melhores, replicou que não, que eram até piores - por causa deles e dos de língua alemã, a Suíça não estava na União Europeia - eram xenófobos e não queriam dar direitos aos imigrantes. Nesta meteórica expedição suíça não tive oportunidade de comprovar que esta cidade é, juntamente com a vizinha Lugano, uma das mais ricas da Europa e refúgio de capitais italianos. Passámos de novo a fronteira (há mesmo fronteira a sério do lado suíço) e, desta vez, não houve nenhum desvio pelas montanhas – em breve estávamos de novo no hotel.
|| Edmundo Tavares, 2:15 a.m.
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domingo, agosto 15, 2004
Mina (2)
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CD: Mina - La Mina (1975)
Entre a imensa discografia de Mina, há alguns discos excepcionais. Este é um deles. É difícil encontrar um disco assim, sem um tema desinteressante e configurando de início a fim um ambiente quente. Os temas que merecem destaque: Signora più che mai, Immagina un concerto, Tu no e, acima de todos, L'importante è finire - uma das suas mais famosas canções e... justificadamente! É uma canção de densa atmosfera erótica, o que se deve aos arranjos de Pino Presti e à voz de Mina, aqui mais insinuante e expressiva do que nunca... Com efeito, é nos anos 70 que "la tigre di Cremona" atinge o apogeu como cançonetista, não tendo, por outro lado, ainda revelado outras magníficas faculdades (ver-se-ia a partir de finais de 70 que a sua versatilidade interpretativa não conheceria limites...)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
(O sampler de L'importante è finire aparece trocado com o de E poi..., de La Mina)
|| Edmundo Tavares, 1:59 a.m.
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sábado, agosto 07, 2004
Viagem ao Norte de Itália / 2001 (3)
1º Dia (manhã)
A viagem até Milão era com escala em Madrid. Na sala de embarque, um exótico exemplar encheu a hora de espera. Mulher enorme, possuída por contumaz verborreia e insolitamente enciclopédica no que a matérias desportivas dizia respeito, em particular as referentes ao Sporting. O facto dos seus interlocutores (o marido e o filho adolescente) lhe corresponderem apenas com contida sinalética (esgares e grunhidos ténues), não a dissuadiu do exercício, que se traduzia, por exemplo, em manifestar conhecimentos tão inverosímeis como os resultados das mais ignoradas partidas da Copa América. Tudo isto era feito num tom que chocava estridentemente na sonolência das oito da manhã. Felizmente a verborreia desvaneceu-se logo que foi iniciado o embarque.
Como o céu estava limpo e ia junto a uma janela, lá fui identificando uma após outra as localidades avistadas. Mal dei por mim, estávamos em Barajas, que é enorme – uma babilónia do género de Charles de Gaulle, mas sem as linhas futuristas. Os anúncios pelo sistema sonoro, lembravam-nos que estávamos em Espanha, quer pelo escorreito castelhano (que, aliás, tão pouco se vai ouvindo no dia a dia espanhol), quer por aquela pronúncia inglesa que só os espanhóis têm. Na verdade falam inglês, submetendo-o com tranquilo descaramento ao sotaque castelhano...
No avião que nos levaria a Milão, metade da população era espanhola, metade era italiana, o que se constatava através dos que retiravam da bandeja o El País ou o Corriere della Sera. Continuei a ter a sorte de ir à beira da janela e do céu estar limpo. Vi a imensidade das áridas terras de Teruel até aos limites do Maestrat, na confluência com a Catalunha. Depois, avistei Amposta, o delta do Ebro e daí para diante mar. Imaginei que, como a rota seguia paralela à costa, quem estava junto às janelas do outro lado, teria o privilégio de ver Barcelona…
Depois dos Alpes, a Itália chegou aos meus olhos com os campos da Lombardia, que estendiam-se planos e verdejantes, arrumados geometricamente. Múltiplos povoados concentrados surgiam desse verde. O nítido curso do Pó permitiu-me identificar Piacenza. Aterrámos em Malpenza, um dos dois aeroportos que servem Milão. Fica a, nem mais nem menos, 60 km da cidade!
Já tinha planeado o percurso da viagem. Fizera marcações on-line não só para os hotéis como para o aluguer de automóvel. A primeira coisa a fazer era procurar a Hertz.
O moderno aeroporto faz jus aos méritos do design italiano. Os tons verdes e a visível qualidade dos materiais dão o mote a um estilo sóbrio. É nestes aspectos que a sensibilidade italiana sobressai... Há, como o resto da viagem haveria de confirmar, um natural bom gosto nos cenários comuns da vida quotidiana.
No escritório da Hertz tive a precisa noção de que tinha acabado de entrar no domínio da mais bela d as línguas. O meu primeiro diálogo, contudo, processou-se através de um inglês elementar. O carro que nos estava destinado era.... um Ford Ka, aquele ínfimo ovinho com rodas que eu sempre ridicularizara!
|| Edmundo Tavares, 4:30 p.m.
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domingo, agosto 01, 2004
Florença (2)

Florença - Bloco de postais (finais dos anos 40)
Trata-se de um bloco de postais que se dispõem em forma de harmónio. Aqui temos a reprodução da capa.
|| Edmundo Tavares, 3:42 p.m.
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Florença (1)

Florença - Postal (finais dos anos 40)
Vista panorâmica desde a Piazzale Michelangelo.
|| Edmundo Tavares, 3:34 p.m.
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As melhores canções italianas (1)
Com tudo o que listas deste tipo têm de subjectivo e artificioso, a verdade é que experimentei fazer uma lista das 10 melhores canções italianas. Depois de muito penar acabei por fazer uma lista de 30:
ANEMA E CORE (ROBERTO MUROLO)
NOSTALGICO SHOW (JULA DE PALMA)
LOVE IN PORTOFINO (DALIDA)
COME PRIMA (TONY DALLARA)
ESTATE (BRUNO MARTINO 1960)
ADDIO ADDIO (DOMENICO MODUGNO 1962)
QUANDO, QUANDO, QUANDO (TONY RENIS 1962)
SAPORE DI SALE (GINO PAOLI 1963)
UNA LACRIMA SUL VISO (BOBBY SOLO 1964)
UN BUCO NELLA SABBIA (MINA 1964)
DOLCE PAOLA (ADAMO 1965)
SE TELEFONANDO (MINA 1965)
HO CAPITO CHE TI AMO (LUIGI TENCO)
CIAO AMORE, CIAO (LUIGI TENCO 1967)
LA BAMBOLA (PATTY PRAVO 1968)
GRANDE, GRANDE, GRANDE (MINA 1971)
IL MIO CANTO LIBERO (LUCIO BATTISTI 1972)
PAROLE PAROLE (MINA 1972)
UN GRANDE AMORE E NIENTE PIÙ (PEPPINO DI CAPRI 1973)
E POI... (MINA 1973)
BELLA SENZ'ANIMA (RICCARDO COCCIANTE 1974)
IL CONTINENTE DELLE COSE AMATE (ORNELLA VANONI 1974)
PRIME ORE DEL MATTINO (ORNELLA VANONI 1974)
UN MONDO DI PIÙ (ORNELLA VANONI 1974)
L'IMPORTANTE È FINIRE (MINA 1975)
MAGICA FOLLIA (MINA1982)
ROSE SU ROSE (MINA 1984)
I TRENI DI TOZEUR (FRANCO BATTIATO 1984)
UN POMERIGGIO E 1/2 (MILVA1986)
CHIAMAMI ADESSO (PAOLO CONTE 1992)
|| Edmundo Tavares, 2:44 p.m.
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