
Antonio de Curtis (Totò) (1898-1967)
É um pormenor quase tão grotesco como as situações de muitos dos seus filmes, mas a verdade é que Totò viu oficialmente reconhecido, em 1946, o direito a nomear-se e intitular-se do seguinte modo: "Antonio Griffo Focas Flavio Dicas Commeno Porfirogenito Gagliardi De Curtis di Bisanzio, altezza imperiale, conte palatino, cavaliere del sacro Romano Impero, esarca di Ravenna, duca di Macedonia e di Illiria,principe di Costantinopoli, di Cicilia, di Tessaglia, di Ponte di Moldavia, di Dardania, del Peloponneso, conte di Cipro e di Epiro, conte e duca di Drivasto e Durazzo". Quem diria... Sucede que o genial cómico napolitano nasceu de uma relação amorosa clandestina entre sua mãe, uma plebeia, e o marquês Giuseppe de Curtis. Este só o reconheceu mais de trinta anos após o seu nascimento.
Poucas personagens foram tão marcadamente portadoras da alma napolitana como Totò - esse pobre diabo desenrascado, zombeteiro pateta, oscilando entre o megalómeno e o servil.
Hoje, como naqueles tempos, revejo com muito prazer os filmes de sua "altezza imperiale" e não deixo de me emocionar com "esse pobre diabo desenrascado". É que Totò, Fernandel e os irmãos Marx são os meus cómicos de sempre!
Em matéria de humor e entretenimento, em geral, e não querendo (nem podendo...) estabelecer qualquer comparação, não deixo de me perguntar porque os nossos canais têm programas do género tão miseráveis, isto num país onde há gente que faz humor com tanta classe. A este respeito, só me ocorre aquela frase inesquecível de Totò: "Porca miséria"...
TC