tml PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-transitional.dtd"> Cuore Matto: Viagem ao Norte de Itália / 2001 (15)

Cuore Matto

Observações casuais a propósito de Itália.

sexta-feira, novembro 12, 2004

Viagem ao Norte de Itália / 2001 (15)

4º Dia (3ª Feira) (tarde)

A chegada a Siena não proporcionou uma vista panorâmica, pois a cidade estende-se por uma encosta em sentido oposto àquele por onde entrei. Siena também ainda está amuralhada. Detém um património riquíssimo. Perdeu importância desde finais da Idade Média, mas não se pode dizer que ficou à margem do tempo. Tem cerca de 80.000 habitantes e é capital de província.
Os condicionalismos da visita foram ingratos. O calor era ainda mais intenso. Entrar na cidade com o carro era impossível. Mas, como se verificava na planta, do local onde estava até ao centro era, pelo menos, um quilómetro, por ruas estreitas. Estacionado o carro num terreiro do lado exterior das muralhas, decidi tomar um transporte urbano - um daqueles mini autocarros que já tinha visto passar. Em menos de um quarto de hora, surgiu um que me levou até junto da Catedral. A fachada é mais exuberante que a de Florença e de grande beleza. O interior é, seguramente, mais valioso, quanto mais não seja pela decoração do pavimento. Além disso, mais prosaicamente, era um refúgio para o calor... Infelizmente, assim sentia também a multidão de turistas que, portanto, a abarrotava. Era gente a mais! Em todo o caso, era imperioso atingir a Piazza del Campo.
Por ruelas sempre a descer cheguei à mais bela praça alguma vez vista. A torre do Palazzo Comunale domina um vasto terreiro em semi-circulo. As casas de tonalidade rosada reforçam a luminosidade, de modo que quem aí entra, vindo da semi-obscuridade de ruas estreitas, sofre um impacto. Aqui se realiza, duas vezes por ano, o Palio – corrida de cavalos realizada com aparato medieval. Cada cavalo representa uma Contrasta (bairro). Se a cidade estava tão abarrotada de turistas, como seria nessas ocasiões?
Não me esqueci que na Universidade de Siena, lecciona Antonio Tabucchi - o mais conhecido lusófilo da intelectualidade europeia. Passa metade do ano aqui, outra metade em Lisboa. Vi-o uma vez, numa noite de Verão, na mesma bicha em que eu estava para jantar, num restaurante de Santa Luzia (Tavira), como vulgaríssimo anónimo.
No regresso a Florença a entrada foi propositadamente feita pela estrada que passa junto ao Belvedere de Piazzale Michelangelo. É um miradouro que está em Oltrarno, ou seja, do outro lado do Rio Arno. Parei e apreciei a vista panorâmica. Lá está também outra réplica de Davide. É por aqui que se deve entrar na cidade.
Depois andei por zonas periféricas para conseguir encontrar a garagem onde teria de devolver o carro. Não foi fácil. Nessa busca passei junto ao Stadio Artemio Franchi onde joga a Fiorentina e onde, até poucos dias antes, Rui Costa exercera como ídolo. A sua popularidade era grande. Eram vários os cartazes publicitários onde estava presente. Nas páginas do diário local La Nazione, a comoção pela perda do jogador para o AC Milan era testemunhada em vários artigos – era o símbolo da falência da societá viola, que se via, assim constrangida à lógica de “vão-se os anéis, ficam os dedos...”.
|| Edmundo Tavares, 1:38 a.m.

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