tml PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-transitional.dtd"> Cuore Matto: Viagem ao Norte de Itália / 2001 (12)

Cuore Matto

Observações casuais a propósito de Itália.

sábado, outubro 23, 2004

Viagem ao Norte de Itália / 2001 (12)

4º Dia (3ª Feira / manhã)

Para este dia estava planeada uma ida a San Gimignano e Siena. Na Hertz diligenciei o aluguer de uma viatura. O que é que haveria de sair em sorte? ...Pois, mais um Ford Ka.
A estrada que vai até Siena não sendo propriamente uma auto-estrada, tem faixas separadas, com óptimo piso e não tem portagem A paisagem toscana está cheia de colinas e é verdejante. Vêm-se muitas casas de quintas. A natureza é ao mesmo tempo exuberante e civilizada. Predominam vinhedos e bosques.
Passei por Poggibonsi, cidadezinha de 20.000 habitantes, com aspecto próspero. É um dos centros de produção do celebrado vinho Chianti. Logo a seguir, consegue-se divisar ao longe San Gimignano, com as suas treze (!) torres. Está no cimo de uma colina, amuralhada. A invasão turística que assolava Florença estendia-se até aqui, produzindo, desde logo, terríveis dificuldades para estacionar em qualquer um dos parques existentes no exterior da muralha. Não há cidade fora da muralha e lá dentro todas as casas são medievais. Nem Óbidos consegue ter um aspecto tão homogéneo e coerentemente antigo, embora esta cidade seja maior, mais populosa e mais visitada numa escala de, para aí, dez vezes mais... As tais torres, são de palácios aristocráticos e sugerem-nos aquela Toscana medieval onde imperavam rivalidades entre cidades, extravagâncias de príncipes e belicosos condottieri. Aqui, nesse passado brilhante e convulso, cada nobre pretendia suplantar o nobre vizinho pela altura da sua torre. Este espírito puerilmente vaidoso é, ao fim e ao cabo, o mesmo que esteve na base do mecenato. É claro que o resultado atenta contra todas as considerações de harmonia e proporção, mas não deixa de ser pitoresco. Algures antes dos finais da Idade Média, San Gimignano parou no tempo. O esplendor das vizinhas Florença e Siena determinaram o seu estertor. Apenas se manteve uma activa produção vinícola. Assim chegou aos nossos dias esta anacrónica pérola medieval. Renasce agora em função do turismo.
Estava um calor ainda mais insuportável que o nos dias anteriores. À hora de almoço, encontrei refúgio numa loja com ar condicionado, que vendia sanduíches e proporcionava ao mesmo tempo mesas e bancos para se comer. Assim, nesta espécie de self service artesanal acabei por comer e, muito bem, ademais por um preço que, em Itália, é magnífico. Entre outras coisas, foi-me apresentada a mais popular cerveja italiana, a Moretti, assim como a Broschetta, que consiste numa fatia de pão frito com tomate e mais alguns condimentos.
|| Edmundo Tavares, 1:46 a.m.

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