
Este senhor era um advogado piemontês, mas tornou-se artista. É Paolo Conte! Chegou à cena musical, discretamente, como compositor em part-time; finalmente, muito tarde, tornou-se intérprete (voz e piano), com imagem boémia e estilo café-concert, recheado de referências jazzísticas e com voz aguardentada. Um mítico Mokambo (lugar de perdição nocturna), referido em algumas das suas canções, é exemplificativo do ambiente do seu universo decadent chic. Aliás, quer a sua música, quer a sua pose e imagem podem fornecer sugestivos elementos para uma iconografia do "politicamente incorrecto"...
Dizem que cada espectáculo do avvocato, entre declamações acompanhadas a piano e complexas derivações orquestrais, é um evento imprevisível onde melhor se pode apreciar as suas qualidades.
É frequentemente associado a Leonard Cohen, assim como há quem o designe como o Tom Waits latino. Em todo o caso, parece ter uma versatilidade superior - é capaz de acolher inspirações nos quadrantes mais diversificados, compondo temas heterogéneos, onde o único denominador comum são as referências jazzísticas e o sabor retro. Tal versatilidade chegou ao ponto de o lançar em projectos complicados e nebulosos como Razzmatazz - megalómena evocação multimédia dos cabarets parisienses dos anos 20... Em todo o caso Paolo Conte brilha sempre muito alto.