tml PUBLIC "-//W3C//DTD XHTML 1.0 Transitional//EN" "http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-transitional.dtd"> Cuore Matto: San Remo (1)

Cuore Matto

Observações casuais a propósito de Itália.

sábado, julho 31, 2004

San Remo (1)

Em 1967, no Festival de San Remo, Little Tony interpreta Cuore Matto (Coração Louco). Com o seu cabelo abrilhantinado, estilo Elvis, com a sua pose arrebatada, estava em ruptura com os modelos de crooner ou de tenor ligeiro já decadentes. Era um urlatore, designação que se atribuía, com desconfiança, aos jovens artistas com influências do rock & roll. Contudo, quem ganha essa edição é Claudio Villa, com Non pensare a me. Como quase sempre houve polémica. Villa era, já para os padrões da época, um canastrão e estava mais alinhado com os esteriótipos dos anos 50. Mas, dessa música vencedora já ninguém se lembra, o mesmo não se pode dizer de Cuore Matto, resgatada, segundo parece, no último filme de Almodóvar.
Eis aqui o seu texto:

Un cuore matto che ti segue ancora
giorno e notte pensa solo a te,
e non riesco a fargli mai a capire
che tu vuoi bene a un altro e non a me.
Un cuore matto, matto da legare,
che crede ancora che tu pensi a me,
non è convinto che sei andata via,
che m'hai lasciato e non ritornerai...
Digli la veritàe forse capirà;
perché la veritàtu non l'hai detta mai...
Un cuore matto che ti vuole bene
e ti perdona tutto quel che fai,
ma prima o poi tu sai che guarirà,
lo perderai, così lo perderai...
Un cuore matto, matto da legare...

É através da brisa da Riviera Ligure, entre San Remo e Portofino, por entre um certo glamour latino demodé, que este blog se propõe começar por evocar os tempos áureos da canção italiana. Entre tantos artistas cujo esplendor esmoreceu há muito, apagados os flashes dos paparazzi, desvanecidos os faustos das produções da RAI (a preto e branco... ) de Sabbato Sera e Mille Luce, duas lendas, entretanto, persistem vivas: Mina e Ornella Vanoni - as duas grandes senhoras da canção italiana. Cada uma à sua maneira, através de uma longa carreira, mostra-nos que, afinal, esse tempo não morreu de todo...
Mas, a predisposição para este exercício nostálgico será, sobretudo, um pretexto para apontamentos muito pessoais e variados sobre Itália...
|| Edmundo Tavares, 3:34 a.m.

3 Comments:

edmundo,
eU NÃO CONHEÇO A CANÇÃO, MAS GOSTEI TANTO DA LETRA QUE VOU PROCURAR CONHECÊ-LA. dESDE JÁ, PELO QUE VOCÊ DISSE, ACHO QUE VOU GOSTAR MUITO.
eU TIVE UMA AVÓ ITALIANA QUE USAVA A PALAVRA "MATTO' A CADA MINUTO. eRA A MANEIRA DELA CRITICAR AS COISAS, MAS SEI QUE NA CANÇÃO A PALAVRA TEM UM SENTIDO MUITO MAIS INTENSO.
lEGAL O SEU BLOG. a iTÁLIA MERECE MUITOS COMENTÁRIOS.
Blogger Marlene, at 11:44 p.m.  
O mundo não pára e o glamour italiano pode estar demodé, mas ele é incomparável! Como me lembro das produções da RAI, que nem a cor dos nossos dias consegue suplantar o esplendor daquele preto e branco...
Obrigada por nos fazer lembrar uma época que já não volta e que a cultura dominante insiste em enterrar.
TC






TC
Anonymous Anónimo, at 2:16 p.m.  
Cheguei ao blog Cuore Matto a partir do Abrupto, e à canção Cuore Matto através do Almodovar. Obrigada pela tradução de Cuore Matto (inconscientemente já a tinha traduzido)e, sobretudo, pela letra. Há momentos na vida em que estas pequenas coincidências atingem proporções enormes...e, claro, desejo mtas felicidades para o seu Cuore Matto!
Anonymous Anónimo, at 5:56 p.m.  

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